E a minha alma alegra-se com seu sorriso, um sorriso amplo e humano, como o aplauso de uma multidão...{Fernando Pessoa}

Se refletem no meu Espelho...

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Aprender...

As pessoas que não sabem viver sozinhas, 
estão o tempo todo mendigando aprovação das outras.
É preciso aprender a viver só, 
aprender a fazer silêncio, para poder conviver com o outro ... 
porque dentro de cada um mora uma grande solidão. 
Há um lugar dentro da gente que ninguém vai ... somente nós. 
E nem nós mesmos sabemos como é esse lugar. 
Então temos que aprender a respeitar a 
solidão do outro e a nossa própria solidão...

Sem querer...

Cheguei, sem querer, onde meu coração 
 queria chegar sem que eu soubesse...

Dentro de mim...

E no meio do inverno descobri que 
 dentro de mim havia um verão invencível...

Música...

Nossa incapacidade de ouvir é 
a manifestação mais constante e sutil
da nossa arrogância e vaidade.
No fundo, somos os mais bonitos....

Sol...Lua...

Freud, se fosse poeta, em vez de falar em 
consciente e inconsciente, teria dito: 
nós, como a terra, somos iluminados ora pelo sol, ora pela lua. 
Os pensamentos e sentimentos que temos 
quando iluminados pela luz do sol 
 
não são os mesmos sentimentos e pensamentos 
que temos quando iluminados pela lua. 
Sol: o mundo brilha e somos inundados por suas cores e formas. 
Lua: luz suave, cheia de sombras e indefinições. 
Sob a luz do sol nós trabalhamos. 
Sob a luz da lua amamos...

A Arte...

Mas é preciso escolher.
Porque o tempo foge.
Não há tempo para tudo.
Não poderei escutar todas as músicas que desejo, 
não poderei ler todos os livros que desejo, 
não poderei abraçar todas as pessoas que desejo.
É necessário aprender a arte de ‘abrir mão’ 
a fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial...

No fundo da ALMA...

Assim são as imagens 
poéticas:
Elas têm o poder de ir lá no fundo da alma,
onde moram os esquecimentos.
E quando um desses esquecimentos acorda
a gente sente um estremeção no corpo.
Essa é a missão da poesia:
Recuperar os pedaços 
perdidos de nós...

Cheias de vazio...


A vida precisa do vazio: 
A lagarta dorme num vazio chamado casulo 
até se transformar em borboleta. 
A música precisa de um vazio 
chamado silêncio para ser ouvida. 
Um poema precisa do vazio da folha de papel 
em branco para ser escrito. 
E as pessoas, para serem belas e amadas, 
precisam ter um vazio dentro delas. 
 A maioria acha o contrário, pensa que o bom é ser cheio. 
Essas são as pessoas que se acham cheias de 
verdades e sabedoria e falam sem parar. 
São umas chatas quando não são autoritárias. 
Bonitas são as pessoas que falam pouco e sabem escutar. 
A essas pessoas é fácil amar. 
Elas estão cheias de vazio. 
E é no vazio da distância que vive a saudade..

Põem música...

Orações e poemas são a mesma coisa: 
palavras que se pronunciam a partir do silêncio, 
pedindo que o silêncio nos fale. 
A se acreditar em Ricardo Reis, é no silêncio que existe 
no intervalo das palavras que se ouve a voz de
“um Ser qualquer, alheio a nós“, que nos fala. 
O nome do Ser? 
Não importa. 
Todos os nomes são metáforas para o 
Grande Mistério inominável que nos envolve. 
Gosto de ler orações porque elas dizem as palavras 
que eu gostaria de ter dito mas não consegui. 
As orações põem música no meu silêncio.

As paisagens...

Alma são as paisagens que existem dentro do nosso corpo. 
Nosso corpo é urna fronteira entre as 
paisagens de fora e as paisagens de dentro. 
E elas são diferentes “O homem tem dois olhos“, 
disse o místico medieval Angelus Silésius. 
"Com um ele vê as coisas que passam no tempo. 
Com o outro ele vê o que é eterno e divino." 
Em algum lugar escondido das paisagens da alma 
se encontram as fontes da alegria perdidas. 
Perdidas as fontes da alegria as paisagens da alma se apagam, 
o corpo fica como uma casa vazia. 
E quando a casa está vazia, vai-se a alegria. 
E as paisagens de fora ficam feias (a despeito de serem belas).


Presença de uma ausência...

Tudo é real porque tudo é inventado.
Os animais vivem em meio às presenças, 
mas nós vivemos em meio as ausências.  
Desejo: reconhecer que algo esta faltando...Saudade.  
Eu sugeriria que espiritualidade tem algo a ver com isto:
 viver em meio a presença de uma ausência. 
E dai que surge tudo o que de belo fazemos:
 o amor, a poesia, a música, os jardins, as revoluções... tudo.  
Fazemos estas coisas para completar este pedaço que está faltando. 
Ah, pedaço de mim que me arrancaram...
Sou espiritual por causa disto: 
do meu corpo sai uma canção, um suspiro, um desejo, 
uma saudade por algo que não encontro e penso 
que sinto no vento, o cheiro dessas coisas...

Exuberância...


Somos as coisas que moram dentro de nós.

Por isso há pessoas que são tão bonitas…
Não pela cara, mas pela exuberância do 
seu mundo interno.

Vazios...

A vida precisa do vazio: 
A lagarta dorme num vazio chamado casulo 
até se transformar em borboleta. 
A música precisa de um vazio chamado silêncio para ser ouvida. 
Um poema precisa do vazio da folha de papel em branco para ser escrito. 
E as pessoas, para serem belas e amadas, 
precisam ter um vazio dentro delas. 
A maioria acha o contrário, pensa que o bom é ser cheio. 
Essas são as pessoas que se acham cheias de 
verdades e sabedoria e falam sem parar. 
São umas chatas quando não são autoritárias. 
Bonitas são as pessoas que falam 
pouco e sabem escutar. 
A essas pessoas é fácil amar. 
Elas estão cheias de vazio. 
E é no vazio da distância que vive a saudade...

Opostos...

Para voar é preciso ter coragem 
para enfrentar o terror do vazio. 
Porque é só no vazio que o vôo acontece. 
O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. 
Mas é isso o que tememos: o não ter certezas. 
Por isso trocamos o vôo por gaiolas. 
As gaiolas são o lugar onde onde as certezas moram.
É um engano pensar que os homens seriam livres se pudessem, 
que eles não são livres porque um estranho os engaiolou, 
que eles voariam se as portas estivessem abertas. 
A verdade é oposto. 
Não há carcereiros.
Os homens preferem as gaiolas aos vôos. 
São eles mesmos que constroem as
 gaiolas em que se aprisionam.

"Bom esquecimento"...


O esquecimento, freqüentemente, é uma graça. 
Muito mais difícil que lembrar é esquecer! 
Fala-se de “boa memória”. 
Não se fala de “bom esquecimento”, 
como se esquecimento fosse apenas memória fraca. 
Não é não. 
Esquecimento é perdão, 
o alisamento do passado, 
igual ao que as ondas do mar fazem 
com a areia da praia durante a noite.

Belezas...

Nós não vemos o que vemos,
nós vemos o que somos.

Só vêem as belezas do mundo,
aqueles que tem belezas dentro de si...


Verdade...


Minha vida se divide em três fases.
Na primeira, meu mundo era do tamanho do universo
E era habitado por deuses, verdadeiros e absolutos.
Na segunda fase meu mundo encolheu,
ficou mais modesto e passou a ser habitado
por heróis revolucionários que portavam armas
e cantavam canções de transformar o mundo.
Na terceira fase, mortos os deuses,
mortos os heróis, mortas as verdades e os absolutos,
meu mundo se encolheu ainda mais
e chegou não à sua verdade final
mas a sua beleza final:
ficou belo e efêmero


Segredo...


O segredo do amor é a androgenia:
somos todos, homens e mulheres,
masculinos e femininos ao mesmo tempo.
É preciso saber ouvir.
Acolher.
Deixar que o outro entre dentro da gente.
Ouvir em silêncio.
Sem expulsá-lo por meio de argumentos e contra-razões.
Nada mais fatal contra o amor que a resposta rápida.
Alfange que decapita.
Há pessoas muito velhas cujos ouvidos ainda são virginais:
nunca foram penetrados.
E é preciso saber falar.
Há certas falas que são um estupro.
Somente sabem falar os que sabem fazer silêncio e ouvir.
E, sobretudo, os que se dedicam à difícil arte de adivinhar:
adivinhar os mundos adormecidos que habitam os vazios do outro.


"Tempus Fugit"...



Agora é o tempo da felicidade.
Cada novo dia é um milagre de graça,
uma taça de prazer
que deve ser bebida até o fim,
sem deixar para amanhã.
 "Tempus Fugit"!
Portanto, carpe diem
colha o que se inicia
como quem colhe uma flor
que nunca mais se repetirá



De tudo...


Talvez eu seja um pouco de tudo que já li.
Um pouco de tudo que meu olhar já aprendeu do mundo.
Um pouco das belas músicas.
Um pouco daqueles que me são queridos.
Um pouco de múltiplos sentimentos e algumas fraquezas.
Talvez eu seja um pouco do que você deixou em mim,
mas em essência, o muito da minha essência,
é algo delicado e misterioso…