E a minha alma alegra-se com seu sorriso, um sorriso amplo e humano, como o aplauso de uma multidão...{Fernando Pessoa}

Se refletem no meu Espelho...

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Emoções e Acasos...

A vida, as suas perdas e os seus ganhos, a sua 
mais que perfeita imprecisão, os dias que contam 
quando não se espera, o atraso na preocupação 
dos teus olhos, e as nuvens que caíram 
mais depressa, nessa tarde, o círculo das relações 
a abrir-se para dentro e para fora 
dos sentidos que nada têm a ver com círculos, 
quadrados, rectângulos, nas linhas 
retas e paralelas que se cruzam com as 
linhas da mão; 
a vida que traz consigo as emoções e os acasos, 
a luz inexorável das profecias que nunca se realizaram 
e dos encontros que sempre se soube que 
se iriam dar, mesmo que nunca se soubesse com 
quem e onde, nem quando; essa vida que leva consigo 
o rosto sonhado numa hesitação de madrugada, 
sob a luz indecisa que apenas mostra 
as paredes nuas, de manchas húmidas 
no gesso da memória; 
a vida feita dos seus 
corpos obscuros e das suas palavras 
próximas...

Só nós...


  É nos teus olhos que o mundo inteiro cabe,
mesmo quando as suas voltas me 
levam para longe de ti;
e se outras voltas me fazem ver 
nos teus os meus olhos, 
não é porque o mundo parou, 
mas porque esse breve olhar 
nos fez imaginar que
só nós é que o fazemos andar.

Tuas mãos...



O meu passaporte
são as tuas mãos;
o mapa que nos guia,
a respiração incerta do desejo.
- Por isso me perco - dizes.
- Por isso te encontro - respondo.
E a noite que nos separa é o dia que nos reúne.


Leio...



Leio o amor no livro da tua pele;
demoro-me em cada sílaba,
no sulco macio das vogais,
 num breve obstáculo de consoantes,
em que os meus dedos penetram,
até chegarem ao fundo dos sentidos.
 Desfolho as páginas que o teu desejo
me abre ouvindo o murmúrio de um roçar
de palavras que se juntam, como corpos,
no abraço de cada frase.
E chego ao fim para voltar ao princípio,
decorando o que já sei,
e é sempre novo
quando o leio na tua pele