E a minha alma alegra-se com seu sorriso, um sorriso amplo e humano, como o aplauso de uma multidão...{Fernando Pessoa}

Se refletem no meu Espelho...

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Declaração de amor...

Não há maior declaração de amor, 
que perder tempo para uma pessoa...

É seu...

Você não entendeu que eu lhe amei bonito. 
E meu amor bonito não é meu, é seu. 
Não ficou comigo.  
O amor não é uma propriedade de quem sente, 
é uma transferência total para quem é amado. 
Assim como uma carta é de quem lê, 
não de quem mandou. 
Espero que você não tenha jogado fora...

Segredo a dois,,,

Não existe sacrifício, existe doação.
Não existe renúncia, existe entrega.
Não existe culpa, existe escolha.
 Ninguém entenderá o que vocês 
estão vivendo, além de vocês mesmos. 
O amor é um segredo a dois...


Sinceridade...

Sinceridade mesmo é 
cuidar daquilo que se fala. 
 Não atropelar as pessoas 
com as nossas idealizações.
Despejar nossa vontade não 
é sinceridade, mas pancadaria...

Predileta...necessária...

Seduzir é cutucar, esbarrar, encher o saco, expor as fantasias, 
ensaiar aproximações novas, não desistir da personalidade, 
contrariar as expectativas, fazer drama para despencar na comédia. 

 Ser a melhor pessoa é uma ofensa para mim, 
desejo ser a pessoa predileta, a pessoa necessária...


Histórias...

Seja imprudente porque, 
quando se anda em linha reta, 
 não há histórias para contar...


Somos o que ficamos...

Somos o que ficamos depois de sofrer. 
Porque na dor encontramos uma honestidade que 
não há em nenhum outro sentimento. 
Porque na dor encontramos uma urgência 
que não há em nenhum outro lugar. 
Porque na dor encontramos uma autenticidade 
que não há em nenhum conselho. 
Ninguém usará disfarces, adiamentos, mentiras quando sofre. 
É quando nos conhecemos, nos aceitamos e 
passamos a amar as pequenas gentilezas e descobertas. 
Somente aquele que cuidou de um pai ou mãe doente entenderá o que é ser filho. 
Somente aquele que se separou ainda amando entenderá o que é casamento. 
Somente aquele que perdeu um parente numa tragédia entenderá o que é fé. 
Somente aquele que foi mendigo em sua casa entenderá o que é generosidade.
Sofrer é entender a si mesmo para ouvir com mais atenção e empatia.
Por mais angustiada que seja a perda, por mais gritante que seja a separação, 
por mais inimaginável que seja a injustiça, temos uma incrível e maravilhosa 
capacidade de sobrevivência, de se regenerar, 
de despertar das ruínas, de seguir em frente...

Do que é ferir...

Quem escuta o coração não machuca o outro. 
Será responsável pela fraqueza. 
Sofrerá esperando o próximo suspiro do som. 
 
Estará consciente do intervalo de cada batida. 
Tem noção do que é ferir, e como dói ser sozinho.

Ela tem fome...

Ela tem fome de fé, mais que qualquer outra coisa. 
Se alimenta de tudo quanto é palavra boa. 
E chacoalha as retinas logo depois do café da manhã, 
pras imagens ruins saírem de dentro delas.  
Depois, carrega no alforje semente de ipê roxo. 
Girassol ela planta aos montes. 
E joga as sementes ao vento. 
E não esquece de levar a agulha, 
com as linhas coloridas de seda.


Ela dança com a música de dentro...

Não existe dia derrotado....

Não existe dia ruim. 
Sempre há chance do dia ser feliz. 
Mesmo que seja tarde. Mesmo que seja de madrugada. 
Uma gentileza salva o dia. Um bife milanesa salva o dia. 
Uma gola branca e engomada salva o dia. 
Uma emoção involuntária salva o dia. Nunca o dia está inteiramente perdido. 
Não devemos acreditar que uma tristeza chama a outra, 
que se algo acontece de errado tudo então vai dar errado. 
Lei de Murphy não foi aprovada pela Câmara dos Deputados. 
Confio no improviso, na casualidade, no movimento das cortinas na janela. 
Até o último minuto antes da meia-noite, você pode resgatar o contentamento. 
É uma gargalhada do filho diante da papinha, 
transformando a cadeira num imenso prato. 
É algum amigo telefonando para confessar saudade. 
 
É seu companheiro (a) procurando beijar a 
orelha mandando sinais de seu desejo. 
É o barulho da chuva na calha, é o estardalhaço do sol na varanda. 
É encontrar - iniciando na tevê - um filme que adora e já assistiu cinco vezes. 
É oferecer colo ao seu gato. É planejar uma viagem de férias. 
É terminar um livro que abandonou pela metade. 
É ouvir sua coleção de LPs da adolescência. 
É comprar uma calça jeans em promoção. 
É adormecer no sofá e receber a coberta silenciosa de sua companhia. 
É a possibilidade feminina de passar um batom e pintar as unhas. 
É possibilidade masculina de devolver a bola 
quando ela sobe a cerca num jogo de crianças. 
A felicidade é pobre. A felicidade precisa de apenas um abraço bem feito. 
Sigo esperançoso. Não coleciono tragédias. Sofro e apago. 
Sofro e mudo de assunto, abro espaço para palavras novas, para lembranças novas. 
Vejo o esforço da abelha tentando sair do vidro, 
e não sou melhor do que ela. 
Vejo o esforço da formiga carregando uma casca de laranja, 
e não sou melhor do que ela. 
Viver é esforço e nos traz a paz de sonhar – querer não fazer nada é que cansa. 
Não existe dia que não ganhe conserto. Não existe dia morto, dia de todo inútil. 
Não desista da alegria somente porque ela se atrasou. 
Pode ter recebido esporro do chefe, ainda assim a hora está aberta. 
Comer um picolé de limão é capaz de restituir sua infância. 
Não encerre o expediente com o escuro do céu. 
Pode não ter grana para pagar as contas e ter que 
escolher o que é menos importante para adiar, 
ainda assim é possível se divertir com o 
cachorro carregando seu chinelo para o quarto.
Quando acordo com o pé esquerdo, sou canhoto. Não existe dia derrotado. 


Odeio quem...

Odeio atenuantes, desculpas, restrições. 
Odeio quem marca e desmarca. 
Odeio quem maltrata a esperança do outro, 
quem não cuida da expectativa que mesmo criou.
Odeio quem afirma que não tem saída, 
que surgiu algo importante, 
que está de mãos amarradas. 
Sempre há o que fazer. 
Sempre podemos escolher.
Odeio quem diz que vai e depois retira a palavra. 
Quem sempre inventa um senão de última hora. 
Quem não banca seu desejo. 
Quem finge intensidade para soar romântico.
Adiar não é esperança. 
Um sim pela metade é não

Cometa bobagens...

Não compre manual para criar os filhos, 
para aprender o gozo, para despistar os fantasmas. 
Não existe manual que ensine a cometer bobagens. 
Não seja sério; a seriedade é duvidosa; 
seja alegre; a alegria é interrogativa. 
Quem ri não devolve o ar que respira.  
Use roupas com alguma lembrança. 
Use a memória das roupas mais do que as próprias roupas. 
Desista da agenda, dos papéis amarelos, de qualquer informação 
que não seja um bilhete de trem. 
Procure falar o que não vem à cabeça. 
Cantarolar uma música ainda sem letra. 
Seja imprudente porque, quando se anda em linha reta, 
não há histórias para contar. 
Chore nos filmes babacas, durma nos filmes sérios. 
Não espere as segundas intenções para chegar às primeiras. 
Não diga “eu sei, eu sei”, quando nem ouviu direito. 
 Almoce sozinho para sentir saudades do 
que não foi servido em sua vida. 
Ligue sem motivo para o amigo, leia o 
livro sem procurar coerência, 
ame sem pedir contrato, esqueça de ser o que os outros 
esperam para ser os outros em você. 
Transforme o sapato em um barco,
 ponha-o na água com a sua foto dentro. 
Não arrume a casa na segunda-feira. 
Não sofra com o fim do domingo. 
Alterne a respiração com um beijo. 
Volte tarde. 
Dispense o casaco para se gripar. 
Solte palavrão para valorizar depois cada palavra de afeto.  
Cometa bobagens. 
Ninguém lembra do que foi normal.


Ainda queima...

Amar a si próprio é esse movimento: 
não se resignar, não se conformar com o que foi feito, 
não mergulhar na repetição desanimada dos dias: 
olhar cada lembrança de frente e ver se ainda queima.
 Olhar cada palavra de frente e ver se ainda queima. 
Olhar cada atitude de frente e ver se ainda queima. 
E incendiar a nossa vida na vida do outro...

De outras vidas...

Tempo é ternura.


O tempo sempre foi algoz dos relacionamentos. 

Convencionou-se explicar que a paixão é biológica, 
dura apenas dois anos e o resto da convivência é comodismo.
Não é verdade, amor não é intensidade que se extravia na duração.
Somente descobriremos a intensidade se permitirmos durar. 
Se existe disponibilidade para errar e repetir. 
Quem repete o erro logo se apaixonará pelo defeito mais do que 
pelo acerto e buscará acertar o erro mais do que confirmar o acerto. 
Pois errar duas vezes é talento, acertar uma vez é sorte.
Acima da obsessão de controlar a rotina e os próximos passos, 
improvisar para permanecer ao lado da esposa. 
Interromper o que precisamos para 
despertar novas necessidades.
Intensidade é paciência, 
é capricho, 
é não abandonar algo 
porque não funcionou. 
É começar a cuidar justamente porque não funcionou.
Casais há mais de três décadas juntos perderam tempo. 
Criaram mais chances do que os demais. 
Superaram preconceitos. 
Perdoaram medos. 
Dobraram o orgulho ao longo das brigas. 
Dormiram antes de tomar uma decisão.
Cederam o que tinham de mais precioso: 
a chance de outras vidas. 
Dar uma vida a alguém será sempre 
maior do que qualquer vida imaginada...



Amar é...


Amar não é ameaçar com frases 
egoístas como “A fila anda”. 
É o contrário: é perder o lugar na fila, 
é ceder seu lugar na fila, 
é regressar ao início da fila.
Amar é estranhamente recuar. 
É encurtar as pernas para melhor passear, 
alongar os braços para melhor entrelaçar os dedos.
 Amar é proteger mais do que avançar, 
é cuidar mais do que atingir objetivos, 
é apoiar mais do que se vangloriar da distância.
Amar é ir aos poucos, é lentidão por fora e interesse por dentro
Nenhum casal corre de mãos dadas.
Amar é aguardar se necessário, voltar atrás se preciso, 
criar um novo passo para atender os dois.
Se fui apressado para conquistar minha mulher, 
agora devo ser lento, estar com ela é meu destino. ..



Sem receio...


O luto é que define seu fim, não a gente. 
Uma hora acaba, quando você nem imagina.
Enquanto a dor assobia, procuramos a letra. 
Procuramos honestamente musicar os nervos.
Tenho dormido por dois corpos, tenho me alimentado por um passarinho.
Não há vergonha de sofrer. 
Combato a intolerância do entusiasmo. 
Permita-me ser triste quando triste. 
Ser musgo quando excesso marinho.
Nem sempre posso rarear o ar como pólen.
Se aquele que está mal, abalado, está incomodando os outros, 
pretendo incomodar os outros. 
Pretendo me incomodar.
Farei com gosto. Farei com requinte. Farei com capricho.
Vou escolher o melhor envelope para minha carta, a melhor roupa para deitar.
Adoecer por paixão não é um vexame.
Gafe é fingir que nada aconteceu. 
Tragédia é romper uma história como se fosse apenas mais um emprego.
Loucura é seguir adiante, sem um mínimo de nostalgia, 
sem o receio de estar vivendo errado.
Não valorizar a perda é não valorizar o amor.
Eu só tenho um único assunto nos últimos dias. 
Um único nome.
Sou o mais chato dentre todos os teimosos.
Sou o mais obsessivo dentre todos os neuróticos.
Sou um neologismo de mim, ainda sem sinônimo...

Libertação...

Eu sou apaixonado por textos que interrogam,
não que dão certezas ou fórmulas.
Textos que permitem a gente se duvidar
um pouco mais do que o necessário,
enlouquecer um pouco mais do que a dosagem normal,
vibrar um pouco mais do que o permitido por lei.
Depois que somos educados,
passamos toda a vida aprendendo a nos reprimir.
A poesia é essa libertação. Falar olhando nos olhos.
Encarar com sinceridade o que podemos ser.
Por que esperar o fim da relação para dizer a verdade?
Por que esperar uma doença para ser sincero?
Por que esperar alguém partir para descobrir o desejo?
Poesia é a urgência, quando não temos nada a perder.
É quando apostamos em um único lance o que acreditamos…

Com coragem...

Amar com coragem, não é viver com coragem. 
É bem mais do que estar aí.
Amar com coragem é caráter. 
Vem de uma obstinação que supera a lealdade. 
Vem de uma competência de ser diferente. 
Amar para valer, para dar torcicolo. 
Não encontrar uma desculpa ou um pretexto para se adaptar, 
para fugir, para não nadar até o começo do corpo. 
Não usar atenuantes como "estou confuso". 
Não se diminuir com a insegurança, 
mas se aumentar com a insegurança. 
Não desmarcar um amor pela amizade. 
Não esquecer de comentar pelo receio de ser incompreendido. 
Não esquecer de repetir pela ânsia da claridade. 
Amar como se não houvesse tempo de amar. 
Amar esquisito, de lado, ainda amar. 
Amar atrasado, com a respiração antecipando o beijo. 
Amar com fúria, com o recalque de não ter sido antes. 
Amar decidido, obcecado, como quem troca de 
identidade e parte a um longe exílio.
 Amar como quem volta de um grande exílio. 
Amar com coragem só isso.



Uma mulher não perdoa 
uma única coisa no homem: 
que ele não ame com coragem.
Pode ter os maiores defeitos, 
qualquer coisa é admitida, 
menos que não ame com coragem. 



Refletir...

Sinceridade não é dizer à toa, sem contexto,
é aguardar o momento, o assunto, a deixa.

Não é expor direto, quando está a fim,
mas quando a outra pessoa
também pode ouvir e entender.
É o encontro de duas vontades.
Sinceridade não é se livrar de nossos medos
e falar o que vem à cabeça.
Não, o nome disso é precipitação.
É preguiça de se apresentar, de criar intimidade e de
 atravessar todo o caminho do pensamento.
É procurar chegar sem viajar, desembarcar sem se deslocar.
É se livrar da tarefa da conversa.

Sinceridade mesmo é cuidar daquilo que se fala.
Não atropelar as pessoas com as nossas idealizações.
Despejar nossa vontade não
é sinceridade, mas pancadaria.

Cheiro...


Se o cheiro não atrai,
 inútil apelar para gentilezas.
É o cheiro que chama,
o cheiro que abraça,
o cheiro que aperta.
O cheiro das pernas,
o cheiro da nuca,
o cheiro dos cotovelos,
o cheiro dos joelhos.
O cheiro da voz lambendo,
beijando,
chupando