Ainda não há dinheiro para partir de vez
não há espaço de mais para ficar.
Ainda não se pode abrir uma veia
e morrer antes de alguém chegar.
Ainda não há uma flor na boca
para os poetas que estão aqui de passagem,
e outra escarlate na alma
para os postos à margem.
Ainda não há nada no pulmão direito,
ainda não se respira como devia ser.
Ainda não é por isso que choramos às vezes
e que outras somos heróis a valer.
Ainda não é a pátria que é uma maçada
nem estar deste lado que custa a cabeça.
Ainda não há uma escada e outra escada depois
para descer à frente de quem quer que desça.
Ainda não há camas só para pesadelos.
Ainda não se ama só no chão.
Ainda não há uma granada.
Ainda não há um coração...

















