E a minha alma alegra-se com seu sorriso, um sorriso amplo e humano, como o aplauso de uma multidão...{Fernando Pessoa}

Se refletem no meu Espelho...

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Esperança, nada mais...

A esperança. 
Só a esperança, nada mais. 
Chega-se um ponto, em que não
 há mais nada senão ela... 
É então que descobrimos que ainda temos tudo...

Dos olhos...

Com o andar dos tempos, mais as 
atividades da convivência e as trocas genéticas, 
acabamos por meter a consciência na 
cor do sangue e no sal das lágrimas, e, 
como se tanto fosse pouco, fizemos dos olhos 
uma espécie de espelhos virados para dentro, 
com o resultado, muitas vezes, de mostrarem eles 
sem reserva o que estávamos tratando de negar com a boca.

Há momentos...

Nada é para sempre, dizemos, 
mas há momentos que 
parecem ficar suspensos,
 
 pairando sobre o fluir 
inexorável do tempo. 

Autêntica LIBERDADE...

A única e autêntica liberdade do ser humano é a do espírito,
de um espírito não contaminado por crenças irracionais 
e por superstições talvez poéticas em algum caso, 
mas que deformam a percepção da realidade 
e deveriam ofender a razão mais elementar.

Não serás?...

Introduziu-se nas nossas mentes essa ideia nova 
de que se não consomes não és nada. 
Se não consomes, tu não serás ninguém. 
E serás tanto mais quanto mais fores capaz de consumir. 
A partir do momento em que o ser humano 
se vê a si mesmo como um consumidor, 
todas as suas capacidades diminuem, 
porque todas vão ser postas ao serviço 
de uma maior possibilidade de consumir...

Opostos...

Cada um de nós
é este pouco e este muito,
esta bondade e esta maldade,
 esta paz e esta guerra,
revolta e mansidão

Somos...

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e
entra em nós uma grande serenidade,
e dizem-se as palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável:
o contorno, a vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres,
com a paz e o sorriso de quem se reconhece

e viajou à roda do mundo infatigável,
porque mordeu a alma até aos ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.

Antes...

Se antes de cada ato nosso, nos puséssemos a 
prever todas as consequências dele,
a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas,
depois as prováveis, depois as possíveis,
depois as imagináveis, não chegaríamos
sequer a mover-nos de onde o primeiro
pensamento nos tivesse feito parar.

Capazes...

Nunca se pode saber de antemão
de que são capazes as pessoas,
é preciso esperar,
dar tempo ao tempo,
o tempo é que manda,
o tempo é o parceiro que está
a jogar do outro lado da mesa
e tem na mão todas
as cartas do baralho,
a nós compete-nos inventar
os encartes com a vida…

Verdadeira...

Quando é verdadeira, quando nasce 
da necessidade de dizer, 
a voz humana não encontra quem a detenha.
Se lhe negam a boca, ela fala pelas mãos,
ou pelos olhos, ou pelos poros, ou por onde for.
Por que todos, todos, temos algo a dizer aos outros,
alguma coisa, alguma palavra que 

merece ser celebrada ou perdoada.

Espelhos....

Com o andar dos tempos, mais as atividades da 
convivência e as trocas genéticas,
acabamos por meter a consciência na cor
do sangue e no sal das lágrimas,
e, como se tanto fosse pouco, fizemos
dos olhos uma espécie de espelhos virados
para dentro, com o resultado, muitas vezes,
de mostrarem eles sem reserva o que
estávamos tratando de negar com a boca