E a minha alma alegra-se com seu sorriso, um sorriso amplo e humano, como o aplauso de uma multidão...{Fernando Pessoa}

Se refletem no meu Espelho...

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Quase uma prece...

Que minhas incertezas não abafem minha vontade de chegar. 
Que suas certezas estejam cada dia mais amarradas no meu olhar.
Que você possa valorizar minha paciência, doando a mim, 
a cada dia, mais um pedaço do teu riso. 
Que nossa intimidade seja leve e florida. 
Que tudo que eu preciso seja decifrado pelo seu cuidado de querer estar. 
Que eu possa proteger seus medos e enfrentar suas inseguranças com delicadeza. 
Que sua casca formada pelo tempo se rompa por completo, 
amanhecendo em ti, todo bonito sentimento. 
 
E que você não seja mais indiferente. 
Não. 
Que seja diferente dessa vez, por um instante, um mês, uma vida inteira.  
Que essa parcela de "quase" que ainda nos resta, 
se desmanche aos poucos no nosso amanhã, 
assim como o açúcar do nosso hoje anda de desmanchando no céu da nossa boca. 
Que você  possa me demonstrar seu afeto para reforçar minha paz. 
Que a cada dia você se entregue mais, sem freios e receios, sem menos nem mais. 
Que sejamos então, assim, sem pressa, quase uma prece.


Eu não combino...

Eu não combino com qualquer cor, 
nem entro em qualquer sentimento mais ou menos. 
Minha disponibilidade também cansa, meus beijos que 
sempre descansaram na sua boca, também se esgotam. 
 E não sobrará nada mais em mim senão lamentar o que 
tiveste nas mãos e deixaste te escorrer 
por entre os dedos da sorte. 
Por não saber segurar com os sonhos e guardar 
dentro do lugar mais quente da sua respiração...

Amanhecer por dentro...

Ao vestirmos nossa pele de fatos não planejados, 
fazemos que momentos inesperados visitem com frequência nossa jornada. 
Tão gostoso amanhecer por dentro antes de abrir a janela pra ver a cor do dia. 
E pintar nosso hoje de acordo com o sentimento da vez, 
sem se preocupar com o que acontece depois.
Não planejar algo significa deitar inteira no berço da surpresa, 
ora colorida, ora suspensa de ânimo. 
Não planejar, significa abrir-se aos riscos e tratar com fluidez 
nossos sentimentos, deixar-nos sentir sem artifícios.
Porém, por vezes tão cansada, preciso do esperado. 
Preciso da palavra delicada que chega sem que eu peça, mas que espero por ela. 
Preciso também descansar esses sustos que mudam o rumo do caminho e da prosa. 
Às vezes, só quero o risco que não dói tanto, só pra garantir que minha parcela 
de pranto será guardada em algum canto qualquer de difícil acesso interior. 
Queria poder transformar o não esperado em aconchego, em chamego 
a dois que deita na rede da ausência de preocupações. 
Em certezas que se sente em um olhar e que joga pra 
debaixo do tapete todas as dúvidas. 
Queria que o frio na barriga fosse uma cócegas gostosa 
que traz leveza e não aperto. 
É que eu gosto de correr riscos, sabe. 
De me percorrer toda pela minha parte de dentro. 
Mas tudo sempre tão intenso demais, exige uma 
alma preparada e especialmente armada de gentileza. 
E só por hoje, eu queria sentir um verão no meu pressentimento 
que aquece o momento e me abraça quando diz: 
calma moça, espera mais sem esperar nada, 
mesmo de surpresa, tudo desperta no seu tempo...