E a minha alma alegra-se com seu sorriso, um sorriso amplo e humano, como o aplauso de uma multidão...{Fernando Pessoa}

Se refletem no meu Espelho...

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Certas coisas...

Certas coisas deveriam durar, 
senão para sempre, 
pelo menos mais do que a gente...


Oceano...

Há um oceano na cabeça.
As músicas, livros, desenhos, gritos, sussurros e silêncios
são apenas as ondas que chegam à praia.
E as ondas voltam.
Sempre.
Nunca iguais...

Da pureza...

...É raro que, na vida real, 
possamos ter o melhor de dois mundos, 
ficar com a lenha e se aquecer com o fogo. 
Quase sempre é preciso escolher. 
Com o tempo, a gente se acostuma a abrir mão de 
algumas coisas em favor de outras. 
Até aprende a conviver com a possibilidade 
de ter feito a escolha errada. 
Afinal, a dúvida é o preço da pureza. 
 No fim das contas, é isso que nós somos: 
as escolhas que fazemos.... 
O destino, este brincalhão, às vezes nos leva a 
escolher as coisas mais distantes. 
Depois, nos mostra que o tesouro estava 
o tempo inteiro ao nosso lado. 
A gente vive cruzando o rio atrás de água, né? 
Dobramos a bainha das calças e caminhamos 
milhas e milhas atrás da água que já estava ali, 
desde o início, molhando nossos pés...


Busca...


A gente faz as contas, projeta uma vida na outra,
tenta se enxergar como se fosse outra pessoa...
A gente busca espelhos porque viver é solitário.
Busca simetrias porque a vida é torta.
A simetria acalma.
Talvez acalme porque nós mesmos somos simétricos. 
Uma linha imaginária, dos pés à cabeça,
nos divide em duas partes iguais.
Buscamos o que já somos?
Esquecemos que essa simetria nunca é perfeita.
Para o bom observador, sempre haverá uma perna mais curta,
um olho mais caído, uma narina mais aberta...
Certo é que nossa mente busca simetria nas pinturas,
nas catedrais e nas notas musicais.
Entre passado e futuro, entre os óculos do John e o olhar do Paul,
entre Beatles e Stones, nas cores da barba e do cabelo,
assim no céu como na  terra, assim na serra como no litoral.
Entre mãe e pai, pai e filho, num par de filhos,
a gente idealiza simetrias que não existe.
Buscamos fatos que se repitam,
uma ordem, um sentido, um padrão, um padrão,
um padrão...um padrão que não há.


Outra frequência...


Seria mais fácil fazer como todo mundo faz.
Mas nós dançamos no silêncio,
choramos no carnaval.
Não vemos graça nas gracinhas da TV,
morremos de rir no horário eleitoral.
Seria mais fácil, como todo mundo faz.
O milésimo gol sentado na mesa de um bar.
Mas nós vibramos em outra frequência,
sabemos que não é bem assim.
Se fosse fácil achar o caminho das pedras,
tantas pedras no caminho não seria ruim.

É, seria fácil, se não fôssemos diferentes dos considerados "normais"...risos