E a minha alma alegra-se com seu sorriso, um sorriso amplo e humano, como o aplauso de uma multidão...{Fernando Pessoa}

Se refletem no meu Espelho...

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Um feliz ano...

Troquei minha retrospectiva anual 
por um inventário pessoal cotidiano.  
Que a gente se aprimore dia a dia para poder dizer: 
eu fiz do meu um feliz ano...

Deixe...

..deixe que o Universo te afague, que a Vida te acaricie, 
 que um Poder Superior te ouça e dê o colo que você precisa. 

Cumplicidade...

Não percebi a chegada do outono. 
Mas eu sentia que estava embarcando numa nova estação: 
todas as árvores que plantei, de repente, estavam nuas. 
E eu caminhava num tapete de folhas e flores. 
Os caminhos também se estreitaram e tive uma sucessão de perdas, 
ou melhor, tive uma sucessão de trocas. 
E assim, como toda pessoa que tem um coração pulsando, 
fiquei assustada demais com as mudanças. 
Mas agora já consigo perceber beleza na nudez de 
cada uma das minhas árvores prediletas. 
Elas apenas estão trocando de roupa 
enquanto eu troco de pele, tamanha cumplicidade...

Espaço em si...

Então deixa que as coisas se renovem, 
e que as perdas tenham mais de um sentido, 
que os vazios te ofereçam mais espaço, 
pra que a vida te compense com o impossível. 
E permita que a alegria se aproxime, 
 
e que traga mais calor para os teus dias, 
quando tudo nos parece um desolo, 
é possível ainda assim, ser poesia.
Seja forte, siga em frente, respire fundo, 
e perceba a importância de se ter braços vazios, 
pra que se possa ter espaço em si para abraçar o mundo...
 



Eu passeio...

Eu passeio por tua estrada quando você não está, 
porque não quero mais vê-lo ou tocá-lo. 
Eu passeio por tua casa quando você não está, 
mas não vasculho tuas gavetas, teus segredos, 
 a intimidade repousada no silêncio 
dos teus bolsos, dos armários: 
Contemplo os móveis, os livros, os discos, 
e tudo o que está exposto... só quero a experiência. 
Eu passeio por tuas coisas quando você não está, 
pra aprender com tua casa, tua estrada e o teu 
mundo a suportar a tua ausência....



Eu não cavei teus abismos de mim.
Fui teu abrigo, teu barco
e lua cheia iluminando o caminho.
Você escureceu nosso afeto,

minou nosso rio.
Pra eu ficar, só precisava do 
seu toque-agasalho.
Você me deu um punhado de frio.

Depende da ocasião...

Mas pessoas vão embora. 
As coisas acabam. 
Relações se esvaem, paixonites escorrem pelo ralo, 
adeuses começam a fazer sentido. 
E se a gente sente com estas idas e também vindas, é porque estamos vivos. 
Cuidemos deste agora.  
Muitos já se foram para nos ensinar que a vida é 
só um bocado de momento que pode durar cem anos ou cinco minutos. 
E não importa quanto tempo você teve para amar alguém, 
mas o amor que você investiu durante aquele tempo. 
Segundos podem ser eternidades… ou não. 
Depende da ocasião.
Erga a cabeça, levante o olhar, reacenda seu amor próprio e siga em frente, 
um passo de cada vez até você sentir que está sorrindo por uma bobagem qualquer.
Perdas fazem parte da vida, precisamos vivenciá-las, mas valorize os ganhos,
as permanências de quem fica e se tranquilize, pois a vida é um eterno recomeçar.
Quem garante que esta perda não era o melhor que deveria acontecer na sua vida?
Que esta perda não é necessária para encontrar 
o que realmente será A diferença na sua caminhada? 
{Regina Zucatelli}  

Mudas...

Quem quer sair de uma história, 
cala-se e vai embora.
Porque as grandes dores são mudas.

E decisões definitivas não se 
demoram em explicações.

A gente VIVE...

Nada é tão definitivo assim e a 
gente nunca é, a gente está. 
A gente vai experimentando aqui 
e acolá, vai sentindo o ritmo, 
o tempo, tendo cuidado com algumas 
coisas e desrespeitando 
as placas de aviso de perigo de outras.
 A gente cai, levanta, chora, celebra. 
A gente vive. 
A gente se conhece através das 
reações dos outros a nós mesmos. 
A gente se trabalha ou estagna, regride ou evolui.
A escolha é sempre nossa!

Então deixa...

Então deixa que as coisas se renovem,
e que as perdas tenham mais de um sentido,
que os vazios te ofereçam mais espaço, pra que
a vida te compense com o impossível.
E permita que a alegria se aproxime, e que
traga mais calor para os teus dias,
quando tudo nos parece um desolo, é possível ainda assim, ser poesia.
Seja forte, siga em frente, respire fundo, e perceba a importância
de se ter braços vazios, pra que se possa
ter espaço em si para abraçar o mundo.



CelebrAÇÃO...

 
Celebro a ação de não competir com ninguém, 
pois tenho tudo o que preciso e saber que 
o que tenho foi conquistado por mim. 
Celebro, diariamente, a ação de ter criatividade,  
de criar atividades que me tirem da estagnação espiritual, emocional, pessoal. 
Celebro a ação de renovar meus valores para que eles sejam justos. 
Celebro a ação de não ocupar meu coração com desesperança e preconceitos 
ou coisas que aprisionem minha alma na limitAÇÃO.
Celebro a ação de me importar primeiro com as pessoas, depois com as coisas. 
Celebro a ação de ser profunda nos meus devaneios, 
celebro a ação de ser superficial em alguns desejos 
e poder me permitir ou rir deles. 
Celebro a ação de mudar de ideia, de certeza, de narrativa, 
de estado de espírito, de aparência, de preferências, de vida!
CelebrAÇÃO não é lamentAÇÃO, por isso, celebro...

Digitais...

Arfa o peito, tua boca úmida em meu seio. 
Pulsa quente, teu apetite penetrando a fome do meu ventre. 
O teu cheiro em meus cabelos, tua mordida em meu pescoço. 
O teu olhar no meu, nossa saudade escandalosa, 
a eternidade do beijo que vai durar pra sempre. 
Tua (nossas) risadas, este estado de graça, 
O bem-estar de estarmos juntos. 
E este enrosco espalhando digitais por todo o corpo. 
Estas vontades sem freios porque são teus meus anseios. 
Estes sussurros gostoso, ao pé do ouvido, depois do gozo. 
O mundo lá fora, o vento levando a cidade embora e 
o nosso passeio no espaço... sem tempo. 
É meu, seu, nosso estes momentos, somente nossos.

Cada vez...

E existe algo em nós que é tão recíproco, cúmplice e intenso. 
Dos nossos olhares que dizem tanto sobre tudo, silenciosamente. 
Um movimento de corpo que é tão ao encontro o tempo todo. 
Da compreensão e paciência a que nos dedicamos diariamente. 
E o amor que permeia tanta poesia, e a poesia que se entrega 
inteira pras palavras que querem dizer do abraço. 
Seu corpo tão moldado ao meu, natureza líquida de água e jarro. 
Você me conduzindo à fonte de todas 
as coisas, lá onde o desejo se origina. 
E nada míngua com o passar do tempo e mesmo 
acreditando não ter mais espaço, 
cresce, flui, se imensa clareando o que era escuro e frio.
Cada vez mais e mais eu preciso dizer do amor. 
Dessa ternura delicada. 
Cada vez mais o amor sendo a melhor experiência. 
Cada vez mais eu percebendo que se nada no mundo é definitivo, 
nossa história eu sei perene. 
Uma primavera inaugurada a cada dia. 
E mesmo que nada possa ser eterno, mesmo que o "pra sempre" não exista, 
eu sei que vou seguir te amando, pelo menos, pelos próximos 99 invernos.


E se ainda eu não consigo explicar você pra mim, 

eu simplesmente aceito e agradeço.



Ausência...



Tua ausência cala o mundo,
o mar, os ventos.
Tua ausência desaba
silenciosamente
sobre os meus dias, soterrando
meu outono…
ela magoa demais o meu sossego.
(Tua ausência é essa substância densa)
Tua ausência é tão presente que é pessoa…
E me abraça.

Transforme...


Espero que a gente transforme a própria
vida mudando as vírgulas do texto,
encontrando sinônimos mais adequados e
adjetivos tão positivos que nos façam
enxergar que somos uma explosão
 luminosa de cores e brilho.
Espero que os olhos cintilem e espelhem
cristalinamente de tal forma,
que a nossa imagem refletida no Outro
seja clara e consciente de que a
projetamos e a gente saiba a hora
exata de consertar o sorriso.
Espero que as mudanças sejam
aceitas com gratidão e,
que por serem inevitáveis, sejam eficazes.
Que movimentos sejam feitos para
melhorarmos ao redor além de dentro.
Espero pelo bom ouvinte, pelo meu bom ouvido,
pela expressão de confiança
que desata o nó do medo
e acalma e acalenta.





Aconchego...

Que na esquina de todas as dores,
o amor seja o aconchego,
o colo de que se necessita.
Que na travessia da solidão,
haja o preenchimento de nós mesmos
por dentro como a melhor companhia.
Que não falte amparo quando o
abraço esperado estiver longe.
E que na nossa rotina de dores
e amores que ficam e vão,
que mesmo com todas as lacunas e vãos,
 possamos cumprir, nesta existência,
lindamente a nossa missão...


Plenitude...


E o amor só pode ser isto:
querer que o outro encontre a felicidade a qualquer custo,
mesmo que isso exclua você da plenitude dele.
Mesmo que isto exclua o outro da sua plenitude.


Agasalha-se...


Não exponha demais suas mazelas,
respeite seu luto e o silêncio que vem junto.
A vida é cíclica e tudo faz sentido,

mesmo que demore muito.
E não deixe nunca de confiar no seu poder de superação:
é a maior dádiva que a Vida nos deu.
A melhor fase ainda virá, acredite.
Fale do seu íntimo com as pessoas certas

e não banalize sua “esquizofrenia”:
ninguém precisa acordar e ir dormir com o mesmo humor.
E se achar que está enlouquecendo,

experimente a loucura, pode até ser divertido.
O tédio do mundo está na falta de cor das

pessoas aparentemente “normais”,
mas ele também precisa delas para funcionar.
Ninguém é tão feliz o tempo todo e a vida não é linear assim:
cinismo é diferente de otimismo.
Seja alguém de verdade.
E se deixe tocar pelas coisas que

se comunicam com você lá dentro.
Se não encontrar amparo do outro, dê-se.
Não queira que sintam pena de você:
não sentimos pena de quem admiramos.
Reflita, reflita,

agasalhe-se de bons pensamentos,
funciona em algum momento



Limites...

Impor limites não é uma estratégia, não é uma
falta de liberdade, é uma libertação.
É preciso se conhecer muito e ter muita sensibilidade e respeito por si
e pelo outro para ter a sinceridade de dizer:
comigo você só poderá chegar até aqui.
Porque o meu limite acaba sendo o de alguém também.
É como um aviso: se você tentar ir além, vai invadir,
estragar, tentar corromper e eu não quero, não deixo.
É pedir pro outro que desenvolva certa sensibilidade.
Não há mal nenhum em saber dizer que a gente só pode,
por enquanto, ir até aquele determinado ponto.
Isso é de um profundo respeito por todo mundo.
Quem sabe impor limites aprendeu a dizer um não sincero,
em vez de dizer sim e fugir depois agoniado deixando alguém
num deserto de dúvidas sobre o que possa ter acontecido.


Essências do meu Eu...


Dentro de mim, existe um espaço sagrado
onde guardo minhas preciosidades.
As vezes faço uma faxina lá e mudo tudo de lugar.
Não é por maldade, é só vontade de ver um outro ângulo das coisas.
Eu não gosto do olhar acostumado.
Não gosto de ver um objeto num objeto,
porque tudo pra mim tem entidade humana.
E gente me tira o fôlego, vejo belezas demais quando amo, e amo sempre e tanto.
As vezes eu desapareço mesmo, porque fico tão cansada.
Fico tão cansada daquele cenário.
Fico tão cansada daquele amor.
Tão absurdada pelas coisas,me exaspero.
Sempre é tanto.
É que vivo num derramamento espesso de sentimento.
Aí eu mudo o foco que é pra não cansar o outro também.
Ou, as vezes eu não quero cuidar da ferida de ninguém, tão cansada que fico.
Ou aquela alegria dele merece ser comemorada com outras pessoas porque estou
no meu momento pleno de esvaziamento em que até a sedução me cansa.
E só a solitude pode me acalmar.
Por isso durmo antes do sono.
Por isso, as vezes, tudo tão esquisito e ausente em mim...





Namoramento...


O amor tira de mim a vontade de desistir com facilidade,
de ir embora antes de sentir vontade,
de abandonar sem saber por quê.
E é por isso que o amor me assombra tanto quanto delicia.
Porque não posso virar as costas pra uma
mania quando ela vem de uma pessoa inteira.
Porque eu não posso fingir que quero estar
sozinha quando o meu ser transborda companhia.
O amor me tira coisas que eu não gosto,
coisas que eu talvez gostasse,
mas me dá em dobro o que nunca tive:
um namoramento por ele mesmo.
O amor me tira aquilo que não serve mais
e que me compunha antes.
O amor tirou de mim tudo que era falta.